Saudade não tem idade, diz o dito popular.
Saudade não se define, apenas a sentimos.
Mas em 1962 entre notícias de articulações de encontros de deputados com o governo paraguaio para tratar de políticas de intercâmbio comercial como Brasil, eis que uma notinha na coluna de Carlos Swann, no jornal O Globo, registra o sucesso no Paraguai de um “long-play” de música popular cantada em espanhol, de inusitada autoria do embaixador brasileiro naquele país: Mário Palmério.
Era “Saudade”, uma guarânia terna, suave e sedutora.
Em entrevistas na TV, Palmério dizia que alguém, um dia, lhe perguntara o que era saudade... E então, após um suspiro triste e de inspiração incomum, compôs a guarânia, onde tentou traduzir para o castelhano a imensidão de emoções dessa palavra que nos faz sentir doces ou amargos devaneios...
O fato é que Don Mário, pianista de ouvido, deixou para todos nós essa terna tentativa de explicar o que é saudade.
Saudade
(Letra e música de Mário Palmério)
Si insistes en saber lo que es saudade,
Tendrás que antes de todo conocer,
Sentir lo que es querer, lo que es ternura,
Tener por bien un puro amor, vivir!
Después comprenderás lo que es saudade
Después que hayas perdido aquel amor
Saudade es soledad, melancolia,
Es lejanía, es recordar, sufrir!
Essa saudade que nos leva a uma solidão, a uma apatia, a uma distância imensurável, a uma recordação que vai desde um bem estar até a um sofrimento inexplicável.
* William Gebrim Júnior, médico desde dezembro de 1975 e desde abril de 1975 - professor e radialista.

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