Estação Inverno

Estamos vivendo momentos de um inverno.

Inverno cinzento, roupas grossas, com casacos pesados, meias de lã, luvas de couro...

Manhãs geladas, mas frias, dias claros com sol brilhante, mas frios, noites estreladas com a lua majestosamente presente cheia de si, mas frias...

Inverno estação esperada, vivida intensamente, pois em breve a primavera chegará cheia de flores, cores, perfumes e com seu eterno recomeçar.

Inverno destes que na realidade estamos vivendo retrata muito bem a incerteza de que para se viver lúcida e eticamente, basta paramos para pensar.

Inverno que se seguirá pela primavera adentro com uma luta insana pelo poder, uma batalha para não perder o mando que está cheio de benesses, estes no sentido pleno de um lucro que não advém de trabalho ou esforço.

Inverno escuro daqueles com rostos cobertos de indignação, misturados com os outros que são mascarados por conveniência para não mostrar sua verdadeira índole, seu objetivo real.

Inverno com armaduras frágeis, mãos sujas de falcatruas, pés que esmagam gratuitamente na calada da noite.

Inverno que se disfarça de primavera ou inferno que se mostra como um paraíso?

A lucidez está cedendo o lugar para a euforia cheia de um ufanismo questionável.

A lógica está sendo substituída pelo absurdo e o pior o descredito esta crescendo numa perigosa e assustadora velocidade.

Espero que o vento que faz cair folhas neste inverno consiga também levar para bem longe esses que são pródigos em ludibriar com ilusórias promessas, de amordaçar com ajutórios que levam a ociosidade e mostrar para muitos que são membros do clã de uma fênix que surgiu dos escombros de um tempo histórico de um inverno obscuro. Pensem nisso, mesmo!

* William Gebrim Júnior, médico desde dezembro de 1975 e professor e radialista desde abril de 1970.
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